O presidente da Câmara de Sever do Vouga, António Coutinho (à esquerda, na foto), reconheceu que o mirtilo transformou a face do concelho O presidente da Câmara de Sever do Vouga, António Coutinho (à esquerda, na foto), reconheceu que o mirtilo transformou a face do concelho D. R.

Região, 15 de Dezembro de 2015 

Por Redacção

Homenageados pioneiros do mirtilo em Portugal

Os pioneiros que há 25 anos se lançaram na cultura do mirtilo em Portugal, mais concretamente no concelho de Sever do Vouga, foram homenageados pela autarquia no passado sábado.

Numa gala que decorreu no Centro das Artes e do Espetáculo de Sever do Vouga, a Câmara Municipal não deixou passar em claro esta data simbólica e quis reconhecer quem, em dezembro de 1990, se lançou na aventura de produzir um fruto que à época era totalmente desconhecido em Portugal. Um dos pioneiros foi Manuel Silva, à data colaborador da Fundação Bernardo Barbosa de Quadros, instituição que cedeu os terrenos para as primeiras plantações de mirtilos, que relatou todo a história de implantação do mirtilo em Sever do Vouga, as dificuldades sentidas no início e como foram ultrapassadas, o que fez com que se alterasse o panorama agrícola do concelho desde então.

Também Juvenal Costa, fundador e primeiro presidente da Mirtilusa, recordou o processo que levou à constituição desta sociedade de produtores e como era feito o escoamento do mirtilo nos primórdios da sua produção em Portugal.

João Carlos Pinho, presidente da ADRIMAG, e Sofia Freitas, ex-coordenadora da Agim, deram o seu testemunho quanto à evolução da cultura do mirtilo no concelho de Sever do Vouga ao longo dos anos, destacando vários projetos associados à cultura deste pequeno fruto, com destaque para a Feira do Mirtilo e o registo da marca “Sever do Vouga Capital do Mirtilo”.

O panorama actual da cultura do mirtilo foi transmitido por Paulo Machado e José Sousa, presidentes da Fundação Bernardo Barbosa de Quadros e Mirtilusa, respectivamente.

Por seu lado, o presidente da Câmara de Sever do Vouga, António Coutinho, reconheceu que o mirtilo transformou a face do concelho e é o principal responsável pela divulgação de Sever do Vouga no país e no estrangeiro e deixou palavras de incentivo aos atuais e novos agricultores que venham a investir nesta área. Por fim, pessoas e instituições que deram o seu testemunho nesta gala foram homenageadas com a atribuição de uma medalha comemorativa dos 25 anos do mirtilo em Sever do Vouga.

 

Desde 1990

O mirtilo foi introduzido em Portugal, no concelho de Sever do Vouga, em Dezembro de 1990 pela mão de técnicos holandeses da Fundação Lockorn. Nesse ano foram feitas experiências nos concelhos de Sever do Vouga e Trancoso no sentido de determinar se possuíam as condições indicadas para a produção do mirtilo, vindo a constatar-se que o concelho de Sever do Vouga reunia as condições ideais que, associadas às características do solo e do microclima, permitiam a produção precoce do mirtilo.

A primeira experiência-piloto ocorreu nuns terrenos da Fundação Bernardo Barbosa de Quadros, uma IPSS localizada na freguesia de Rocas do Vouga. Pouco depois eram 11 os produtores que se aventuraram nessa nova cultura, passando a 42 nos anos seguintes.

Actualmente a cultura do mirtilo está espalhada de Norte a Sul do país. No concelho de Sever do Vouga contam-se algumas centenas de produtores e o mirtilo e os produtos a ele associados representam um peso importante para a economia local e para o orçamento de muitas famílias.