A AANIFEIRA tem actualmente lotações esgotadas, quer nas boxes para cães, quer no gatil. Ao todo, alberga 320 cães e 60 gatos A AANIFEIRA tem actualmente lotações esgotadas, quer nas boxes para cães, quer no gatil. Ao todo, alberga 320 cães e 60 gatos D. R.

Santa Maria da Feira, 13 de Outubro de 2015 

Por Redacção

“Ataque-se a origem do problema!”

A AANIFEIRA (Associação dos Amigos dos Animais de Santa Maria da Feira) está a estudar uma forma de incrementar a sua colaboração com o “Canil Intermunicipal das Terras de Santa Maria”, que localizado em Ossela, Oliveira de Azeméis, serve os concelhos do Entre Douro e Vouga (EDV).

Estamos a tentar criar uma estrutura que permita um trabalho mais próximo”, referiu Victor Barros, o presidente da associação.

Está em causa uma forma de ir à raiz do problema dos animais vadios e abandonados que vão vivendo nas vias e localidades da sub-região.

Embora este projecto ainda esteja em fase de idealização, o objectivo é “arranjar uma forma de patrocinar a esterilização e castração dos machos e fêmeas que são acolhidos pelo Canil Intermunicipal”. Muitos deles acabam por ser adoptados, para, em não menos casos, voltarem à procedência ou serem deixados à sua sorte. No caso das fêmeas, chegam a voltar a Ossela com vários com filhotes.

Victor Barros salientou que os animais – cães e gatos – que abandonam as instalações da sua entidade vão esterilizados ou castrados, com um chip, vacinados e desparasitados. Actualmente, na estrutura supracitada do EDV apenas são vacinados e levam o chip. Ou seja, mantêm a capacidade reprodutiva.

O presidente da AANIFEIRA começou por desmistificar a concepção de que o abandono de animais aumenta exponencialmente com o período de férias do Verão. “É uma constante ao longo do ano”, garantiu. Explicou que, com o bom tempo, esses animais sem dono “tornam-se mais visíveis”, enquanto no Inverno procuram-se resguardar de chuva e temporais.

Ainda avisou a quem possa interessar que, no seu entender, “entregar o animal numa associação de defesa dos animais ou no Intermunicipal também é abandono”.

Fez notar que a legislação entretanto saída, a impor penas por maus-tratos e abandono, estará a refrear os intentos de uns quantos maus donos. “Já pensam duas vezes antes de abandonar”, vincou.

Também sublinhou que o aumento da consciência comunitária para o problema está a ajudar a lutar contra quem pratica esse crime.

Sempre defendemos que se alguém não tem condições, deve abster-se de adoptar um animal de companhia”, enfatizou Barros.

A associação de Santa Maria da Feira, que está sediada perto da zona industrial de Mosteirô, em instalações que qualificou e apetrechou ao longo dos últimos anos, tem constatado um decréscimo no número de adopções dos seus animais.

Há pessoas que têm vontade de levar um animal para suas casas, mas que não reúnem as condições para o poderem fazer”, testemunhou.

A AANIFEIRA tem actualmente lotações esgotadas, quer nas boxes para cães, quer no gatil. Ao todo, alberga 320 cães e 60 gatos.

Explicou que, devido à situação nas ruas, muitos dos seus esforços, visando a adopção, têm a ver com divulgar, nomeadamente através das redes sociais, os casos a precisar de encontrar ou reencontrar uma família que lhes chegam do exterior. “A nível diário, temos telefonemas constantes e pessoas a vir cá”, salientou.

Acudir a situações difíceis com que se confronta o “Canil Intermunicipal das Terras de Santa Maria” não é, igualmente, incomum. Por isso, completando o ciclo, reafirma que urge enfrentar “a origem do problema”, controlando a reprodução dos animais.

O estatuto do animal na nossa sociedade é tema do momento. Um partido que defende os direitos dos animais até conseguiu eleger um deputado e estão em vigor leis contra a crueldade. Mas, como aplicá-las eficazmente?  O dirigente lamentou que a responsabilidade tenha sido atribuída a várias entidades – PSP, GNR, câmara municipais – e que, por vida disso, o sistema funcione mal e com falta de meios.

Disse que um cidadão que queira denunciar um caso de maus-tratos pode, facilmente, ser passado de um serviço para outro. E deu o exemplo do SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR da Feira, que tem essa incumbência, mas que só conta com dois elementos.

Quanto a mais direitos para os animais, considerou que, apesar do sonho de atacar e resolver todos os problemas de seguida, o melhor seria garantir efectivos direitos de dignidade e de qualidade de vida para o animal de companhia.

Deve ser a primeira abordagem”, sublinhou, certo de que “quando as pessoas estiverem perfeitamente à vontade com esse conceito será mais fácil que compreendam que os outros animais também são seres que sentem e que sofrem”.

Victor Barros não é dos activistas que exigem igual estatuto para animal e Homem. Pragmático, prefere um sistema em que o facto de se dar primazia ao Ser Humano não impede a noção – e a prática – de que o animal deve ser respeitado.