Luís Ferreira, académico sanjoanense, mediu o índice de desenvolvimento no que diz respeito ao uso de meios tecnológicos Luís Ferreira, académico sanjoanense, mediu o índice de desenvolvimento no que diz respeito ao uso de meios tecnológicos D. R.

S. João da Madeira, 9 de Março de 2015 

Por Alberto Oliveira e Silva

Norte esforça-se mas ainda patina na sociedade da informação

A região Norte é a menos beneficiada das sete “regiões NUT II” do país, em termos de infra-estruturas da sociedade da informação (SI), mas não se sai muito mal quando se trata de utilizar o que tem.

Aproveita melhor o menos que existe”, sublinha Luís Ferreira, que em Dezembro do ano passado publicou a segunda edição do “Índice Digital Regional” (IDR), desta feita relativa ao ano de 2013.

O académico – defendeu, com sucesso, tese de doutoramento em 01 de Abril de 2014 – determinou que Lisboa reina suprema no que diz respeito aos predicados e proveitos da SI. Com nota de que o Norte ocupa o 4º lugar, atrás de Algarve (3º) e do Centro (2º).

Partindo de uma média nacional de valor 100, Lisboa obteve 157,2; o Centro 84,9; o Algarve 83,3; o Norte 74,8; o Alentejo 62,9; a Região Autónoma dos Açores 60,4; e a Região Autónoma da Madeira 58,7.

O IDR’2013 provou inequivocamente que “a região de Lisboa mantém a supremacia em relação a todas as restantes seis regiões NUT II, com larga distância em relação à segunda região com melhor score, o Centro, que pela primeira vez ocupa o 2º lugar”.

Luís Ferreira acentua que o score lisboeta, bem acima da média, “influencia o retrato nacional”, na verdade escondendo os aspectos menos positivos da construção da SI no nosso país, nomeadamente as diferentes oportunidades de que beneficiam, ou não, os habitantes das diferentes regiões.

Docente de profissão e político por vocação – é presidente do PS de S. João da Madeira e vereador no executivo municipal -, o investigador tem trabalhado o IDR na sequência da sua tese de doutoramento, “que pretendeu demonstrar que existem assimetrias regionais na construção em Portugal da sociedade da informação”.

Assinala que no seu trabalho académico traçou “um paralelo” entre este domínio e o que se passa noutros vectores da nossa vida comunitária, como nos indicadores da qualidade de vida, para concluir que, no geral, “Lisboa está muito à frente das outras seis regiões”.

Vincou que, no que diz respeito à SI, existem “estudos académicos” a apontar claramente para uma relação entre “o contexto  socio-económico” de um indivíduo/uma família e o uso dos meios tecnológicos.

Constatou que “os mais pobres os desempregados e os mais velhos utilizam menos”, realçando que, nos “indicadores de contexto”, incluiu aqueles factores, assim como o PIB [Produto Interno Bruto] “Per Capita” e a taxa de desemprego.

À semelhança do que acontece em grande parte dos indicadores de desenvolvimento, em que as assimetrias regionais são uma evidência verificada há várias décadas, importava perceber até que ponto o desenvolvimento da sociedade da informação está a ser desencadeado sem ter em atenção os valores da equidade, da coesão nacional e da solidariedade regional”, assinala o documento produzido por Luís Ferreira.

O “Índice Digital Regional” relativo a 2013 “baseia-se num índice compósito que congrega informação estatística decorrente de 73 indicadores para os quais se encontraram valores desagregados em NUT II e que se encontram arrumados em quatro sub-índices – contexto, infra-estrutura, utilização e impacto”.

Cada indicador foi “normalizado numa escala entre 0 e 1 – cada um dos 73 indicadores tem o mesmo peso no respectivo sub-índice e cada um dos quatro sub-índices tem o mesmo peso no score final”.

Refere que a informação estatística usada foi recolhida junto de “fontes oficiais”, como o INE (Instituto Nacional de Estatística), o Eurostat [organismo da União Europeia], a ANACOM, o Ministério da Justiça e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

O investigador sanjoanense já processa os dados que darão origem ao IDR relativo ao ano de 2014. Este trabalho realiza-se no âmbito da missão do “Gávea – Laboratório de Estudo e Desenvolvimento da Sociedade da Informação” da Universidade do Minho e é dirigido pelo professor Luís Amaral.