Estrutura na Serra da Freita autonomiza as previsões para o norte do País, até aqui dependentes de radares em Espanha. Chefe-de-Estado vinca que município reserva lugar na inovação nacional Estrutura na Serra da Freita autonomiza as previsões para o norte do País, até aqui dependentes de radares em Espanha. Chefe-de-Estado vinca que município reserva lugar na inovação nacional D. R.

Arouca, 19 de Fevereiro de 2015 

Por Alberto Oliveira e Silva

Cavaco inaugura “Radar Meteorológico” de Arouca

O Presidente da República salientou que, com a inauguração do “Radar Meteorológico do Norte”, localizado na Serra da Freita, Arouca “passou também a marcar um lugar na inovação tecnológica no nosso País”.

Enquadrando-o no território do “Arouca Geopark”, o chefe-de-estado considerou que este equipamento será outro dos “pólos de atracção turística” do território arouquense.

Cavaco Silva tinha visitado a Casa das Pedras Parideiras, um dos geossítios mais procurados do Geoparque, que definiu como “tesouro geológico” do município, que urge projectar.

Este foi o mais importante investimento do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)”, sublinhou, enfatizando que o radar representará uma mais-valia, em termos de protecção-civil, de protecção ambiental e de controlo de tráfego aéreo.

O presidente realçou que na Freita se combinam, agora, as riquezas naturais com uma estrutura avançada tecnologicamente.

Em conversa directa com a Imprensa, realçou que os dois concelhos hoje visitados – Anadia e Arouca – foram capazes de “criar marcas diferenciadoras” como novos motores para as respectivas economias locais. O turismo e o desporto no primeiro caso e o património geológico e a torre meteorológica no caso arouquense.

O radar, que entrará em funcionamento ainda durante o corrente trimestre, representa um investimento de 2,85 milhões de euros, com financiamento europeu de 80 por cento. O IPMA promete “melhores previsões em caso de fenómenos severos”.

Esta estrutura começou a ser construída no início de 2014 e ficou concluída 13 meses depois. Tem uma torre com 47 metros de altura no pico da Gralheira, a 1.100 metros de altitude.

Com a sua entrada em funcionamento, Portugal deixa de depender de radares espanhóis para fazer as previsões meteorológicas relativas à região norte.

Até aqui, aquele instituto queixava-se de algumas “carências” no funcionamento dos radares de  Santander, Corunha e Valladolid, que não têm garantido “uma cobertura adequada” das regiões com maior densidade populacional, como a Área Metropolitana do Porto ou a Bacia Hidrográfica do Douro.

O conjunto dos radares de Arouca, Coruche e Loulé garantirá agora a cobertura integral do continente, mas as observações recolhidas pelos seus congéneres de Espanha continuarão a ser utilizadas pelos serviços meteorológicos portugueses, quer para fins de redundância, quer para efeitos de cobertura em zonas de orografia mais complexa.

Jorge Miranda, presidente do IPMA, rotulou a construção do Radar Meteorológico do Norte como uma das “grandes realizações” da entidade.

O responsável disse que esta nova tecnologia “vai ser capaz de varrer a baixa atmosfera e de mandar imagens”. Testemunhou que é um radar “moderno e sofisticado”, a partir de agora, o “mais moderno” do nosso País.

Um protocolo entre o Instituto Português do Mar e da Atmosfera e a Câmara Municipal de Arouca garante que o piso 10º da estrutura funcionará como “piso panorâmico” com vista para o Geoparque, e para mais além.