As comemorações dos 500 anos do Foral foram organizadas pela Junta de Freguesia de Fermedo, com a responsabilidade operacional a caber ao Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermedo e Mato As comemorações dos 500 anos do Foral foram organizadas pela Junta de Freguesia de Fermedo, com a responsabilidade operacional a caber ao Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermedo e Mato D. R.

Arouca, 8 de Outubro de 2014 

Por Alberto Oliveira e Silva

Fermedo “voltou” a ser concelho

Meia centena de “actores” para a ocasião e de figurantes encenaram, no domingo, a outorga, por dom Manuel I, da Carta de Foral ao antigo Concelho de Fermedo.

Datado de 27 de Setembro de 1514, o histórico documento regulava os direitos e deveres de um concelho que englobava as freguesias de Louredo, Vale e Romariz, do actual município de Santa Maria da Feira, e as freguesias de Fermedo, S. Miguel do Mato, Escariz e Mansores, do actual concelho de Arouca.

As comemorações dos 500 anos do Foral foram organizadas pela Junta de Freguesia de Fermedo, com a responsabilidade operacional a caber ao Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermedo e Mato.

A encenação do momento em que o mensageiro do rei “Venturoso” chegou à terra para anunciar a outorga do foral e para dar início ao cumprimento dos trâmites para a sua efectivação decorreu na “Domus Municipalis” situada na antiga capital do concelho de Fermedo, a “Villa” de Cabeçais.

Os momentos de festa e de “regresso ao passado” decorreram também no espaço entre os antigos Paços do Concelho e a Capela, junto ao Pelourinho.

Fermedo é uma terra com muita História, com muitos usos e costumes e, por isso, considerámos importante assinalar esta data relevante”, salientou Alberto Oliveira, o presidente da Junta de Freguesia de Fermedo.

O autarca acentuou a importância de não se deixar perder “as tradições locais”, definindo estas comemorações como “uma forma de afirmação” da localidade e das suas gentes.

Marina Perestrelo, que em nome do grupo etnográfico coordenou a organização da recriação histórica, considerou “um desafio” levar às ruas de Cabeçais um momento tão importante para a História da localidade.

Valeu a pena”, realçou, realçando que houve o cuidado de manter a encenação dentro do “contexto histórico”.

A responsável mostrou-se muito satisfeita com a adesão a esta iniciativa: “quando nos dispomos a fazer trabalhos como este, as pessoas aderem”, disse, referindo-se, também, ao contributo de elementos que não fazem parte do agrupamento etnográfico e folclórico.

Apontou, nomeadamente, as comunidades escolares da freguesia e da Escola Básica e Secundária de Escariz.

Esta realização teve enquadramento histórico por um texto de autoria de Luís Pinho, professor de História na Secundária de Escariz.

Nomeadamente, fez notar que, havendo quem refira a existência de um primeiro Foral de Fermedo, supostamente, outorgado por D. Afonso III, em 1275, o mais provável é que a Carta de Foral de 27 de Setembro de 1514 seja o primeiro e único foral fermedense.

Luís Pinho ainda recordou que o Concelho de Fermedo foi extinto na sequência da reforma administrativa de Mouzinho da Silveira, operacionalizada por decreto de 24 de Outubro de 1855.