Carregosense Manuel Ferreira criou laboratório para investigar e divulgar a participação do distrito na primeira Grande Guerra Carregosense Manuel Ferreira criou laboratório para investigar e divulgar a participação do distrito na primeira Grande Guerra D. R.

Oliveira de Azeméis, 17 de Julho de 2014 

Por Alberto Oliveira e Silva

Pedaços-de-vidas nas trincheiras para fundar uma memória colectiva

O Laboratório Histórico-Militar de Carregosa tem patente na Biblioteca Municipal de Vale de Cambra e no Arquivo Municipal de Oliveira de Azeméis partes da sua Mostra Histórico-Militar da Grande Guerra 1914-1918, que apresenta Espólios de Memória.

Manuel Ferreira, o mentor, investigador e divulgador do laboratório e da mostra, explicou ao Diário de Aveiro que os primórdios desta iniciativa remontam há cerca de 20 anos atrás.

Um campeonato nacional de xadrez, organizado pela associação Universitários de Carregosa gerou a oportunidade para evocar parte do passado militar desta vila do município das Terras de La Salette.

A URATE, colectividade que pegou no legado dos universitários, ajudou a estruturar um “projecto em crescendo”, que foi lançando os braços para parcerias e colaborações: com privados, escolas e autarquias.

O promotor salientou o objectivo de tornar mais conhecido não apenas o conflito que dizimou milhares e milhares de vidas na Europa – e não só – e que pôs ponto final à era dos impérios no território do Velho Continente, mas também evocar e homenagear os combatentes do Distrito de Aveiro, que, integrados no Batalhão de Infantaria 24, seguiram, em 1917, para territórios de França e da Flandres.

Tendo já identificado e referenciado 450 combatentes oriundos do Concelho de Oliveira de Azeméis, Ferreira acentuou que o trabalho vai prosseguir, com auxílios institucionais e privados.

Assumiu o desígnio de em 2018 ter completa a lista de todos os combatentes oliveirenses do conflito: na Europa, Angola e Moçambique.

Amante da história – com frequência universitária – e funcionário da Cruz Vermelha de profissão, o carregosense tem também uma causa próxima e pessoal para se empenhar: os espólios de António Ferreira e de Albino Ferreira, seus avô e tio-avô.

As exposições estarão mais uma semana na biblioteca cambrense e no arquivo oliveirense, após o que se iniciarão os trabalhos de as unificar para as Festas de Nossa Senhora de Lourdes, que a 2 e 3 de Agosto vão animar a Quinta da Costeira, em Carregosa.

Manuel Ferreira assinalou a atracção religiosa que o Santuário Mariano de Lourdes exerceu em França sobre os soldados portugueses. Daí a ligação à vila.

Na mostra de Vale de Cambra, mostrou-nos os postais que António Ferreira escreveu a sua esposa, Ermelinda, e cujo conjunto mostra a imagem de Nossa Senhora de Lourdes e do seu Santuário.

Na Procissão das Velas do dia 2 de Agosto, os crentes e os andores – que da Igreja Matriz de Carregosa se dirigirão para o Templo na Quinta da Costeira – passarão por uma improvisada “avenida” que será ladeada pelas réplicas das trincheiras da Flandres. Uma evocação e homenagem aos soldados portugueses da Grande Guerra.

O nosso objectivo mais amplo é que esta mostra vá também a S. João da Madeira e a Santa Maria da Feira”, enfatizou.

Está em fase nascente uma parceria entre o laboratório, a Câmara de Oliveira de Azeméis e o núcleo oliveirense da Liga dos Combatentes, visando aproveitar e dimensionar – para uma maior amplitude – este trabalho.

Em 2017, completando um século do envolvimento português na Guerra Mundial, e 100 anos após as aparições da Cova da Iria, a exposição/encenação irá ao Santuário de Fátima.

As pessoas têm aderido e têm aberto os baús familiares, passando a valorizar o que, até aqui, chamavam de papel velho!”, testemunhou, esperançoso quanto ao aparecimento de mais e mais espólios, na região norte e por todo o distrito.

Conta com o apoio efectivo de uma dúzia de amigos, que, após o seu trabalho investigativo, o ajudam a criar os cenários da guerra e para a apresentação dos artigos do espólio.