“Recriação” voltou a evocar os tempos em que o Mosteiro era coração da vida local “Recriação” voltou a evocar os tempos em que o Mosteiro era coração da vida local D. R.

Arouca, 29 de Julho de 2014 

Por Redacção

Arouca cria “marca” com riqueza histórica do seu passado

A Câmara de Arouca vai continuar a apostar na criação de uma imagem de marca cultural e turística através da organização de um evento em cada trimestre. Realizações como a “Recriação Histórica”, que no último fim-de-semana encheu de gente, de cor e de memórias a vila capital do município, em especial o Mosteiro de Arouca e a sua envolvente.

Continuaremos a apostar num conjunto de eventos que – assim o esperamos -, daqui por uns anos serão uma marca do nosso território”, sublinhou Artur Neves.

O presidente da Câmara salientou que esta aposta será enriquecida por “inovações permanentes” e perspectivou um futuro em que cada vez mais visitantes procurem as organizações arouquenses.

A junção de uma “Feira do Fumeiro” ao Carnaval já encenado anualmente será uma das novidades para o futuro, enquanto a Feira das Colheiras – em Setembro celebra o 70º aniversário – se manterá como destaque do terceiro trimestre e a Feira da Castanha encerrará o calendário de eventos.

Em 2013 demos um grande salto”, vincou o autarca relativamente à Recriação Histórica.

Disse que, no ano passado, as encenações se estenderam para a avenida principal de Arouca e que, este ano, em áreas adjacentes a “oferta” foi enriquecida com barraquinhas de artesanato, de gastronomia e doçaria e de produtos dos campos concelhios.

O evento recupera o tempo em que o Mosteiro era o centro e coração do viver arouquense. Governava o território – era o grande proprietário de terras – e dinamizava a economia local.

As diversas cenas – asseguradas por mais de 200 figurantes, membros das associações do município, mas também voluntários, incluindo alguns vindos de fora – apresentaram quadros da vivência monacal e comunitária do século XVIII.

Artur Neves salientou a principal novidade desta edição, em termos de encenação: as festividades ocorridas em 1793, aquando da beatificação da Rainha Dona Mafalda, que o povo fez “Santa”.

No sábado à noite – já na fonteira temporal para domingo -, um cortejo, seguido de um concerto de órgão e da actuação de um coro de freiras, concentrou as atenções na padroeira concelhia e principal figura histórica do município.

A Recriação apresentou, ainda, uma encenação da visita a Arouca de Alexandre Herculano, enquanto comissário da Real Academia de Ciências de Lisboa, um episódio da Guerra Civil portuguesa, entre absolutistas e liberais, e momentos da vida no Mosteiro, como as reuniões das monjas na “sala do capítulo”, a cela da freira doente e as visitas às religiosas.

Já não é um evento muito barato”, sublinhou o presidente do executivo arouquense.

Neves assinalou os quase 70 mil euros gastos com esta organização, vincando, porém, que boa parte dessa soma acabou por ficar em Arouca: na restauração e em outros actores da economia local.

Ainda fez notar que o retorno deste investimento acabará por chegar, realçando que em alguns municípios vizinhos tal só se registou após muitos anos de apostas continuadas.