Arouca debateu o estado e os caminhos da sua floresta. É riqueza, mas precisa de ser melhor percebida e cuidada Arouca debateu o estado e os caminhos da sua floresta. É riqueza, mas precisa de ser melhor percebida e cuidada D. R.

Arouca, 20 de Março de 2014 

Por Alberto Oliveira e Silva

Fileira florestal exige formação e profissionalismo

Formação que leve ao profissionalismo e a interiorização de que a agregação de propriedades é essencial para ganhar escala são caminhos para dar à floresta o estatuto de sector empresarial com relevo adicional na economia de Arouca e do país.

No sábado, por proposta da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, Arouca debateu a sua “grande riqueza”: a floresta. E, no painel dedicado à questão económica, foi relevada a necessidade de um olhar mais profissional para o sector.

Ricardo Sousa, da empresa “Forestcorte” foi enfático na denúncia de que “falta formação” ao mundo verde. Também testemunhou que a sua firma tem muitas dificuldades em recrutar jovens.

Disse da necessidade de “desmistificar” o conceito de que a fileira florestal só disponibiliza trabalhos “sujos”, feitos por gente “sem formação”.

Grupo com quatro empresas, a Forestcorte opera em Portugal, mas também em Espanha e França, na área dos serviços florestais e da biomassa. Conta, no total, com meia centena de trabalhadores.

A experiência internacional tem mostrado – como vincou o empresário – que falta uma aposta a sério na economia da floresta.

É um sector como outro qualquer – tem de ser eficiente e de ter rentabilidade”, declarou Sousa. Disse que o ramo em Portugal enferma de “baixas produções” e de “baixos investimentos”.

Nomeadamente, deu conta da incapacidade dos proprietários florestais se unirem em associações e cooperativas. A experiência francesa diz-lhe que ganhariam, por exemplo, na hora de vender.

Acrescentou não ser imprescindível que o proprietário e o operador empresarial de uma mata ou conjunto de matas sejam a mesma pessoa ou entidade.

Quanto à formação, a Forestcorte mostrou-se disponível para “uma parceria com a Escoa Secundária de Arouca”, que permitiria formar jovens em algumas das áreas do sector, nomeadamente através da “formação em contexto de trabalho”.

Pedro Quaresmas, técnico da Associação Florestal (AF) do Entre Douro e Vouga (EDV) deixou mais uma achega para puxar a floresta arouquense – também a da região e do país – para os tempos modernos: a certificação.

Vincou ser processo voluntário, assinalando que já estão certificados 580 hectares nos concelhos sobre jurisdição da AF.

O processo certificador avalia sob parâmetros económicos, sociais e ambientais. Com nota de que mata certificada vende produtos com mais quatro euros de valor por metro cúbico.

Ainda apresentou o aproveitamento dos castanheiros bravos existentes no concelho de Arouca para a produção de castanha como exemplo de um procedimento tão racional quanto desejável.

Quem está a produzir castanhas não se tem queixado da falta de clientes”, avisou Quaresma.

A floresta representa 35,4 por cento do território nacional, mas em Arouca ocupa cerca de 83 por cento do território. Um dos problemas é que, por todo o país, é um “império” espartilhado, com mais de 400 mil proprietários.

Sem surpresa, o eucalipto tem vindo a tornar-se senhor das matas, em detrimento das espécies autóctones. Claro que o sobreiro também é um rei nas florestas nacionais.

Anualmente, os sectores florestais injectam 1.134 milhões de euros por ano na economia. E geram 95 mil empregos directos.

Refira-se que o maior ganho económico da fileira florestal vem da fileira da cortiça. Um valor que se perde – quase em igual medida – com os incêndios.