O seminário contou com três painéis de debate, que abordaram o produto e o emprego, a demografia e o problema da diminuta natalidade, e a sustentabilidade, pelo prisma da relação entre as cidades, a natureza e a energia O seminário contou com três painéis de debate, que abordaram o produto e o emprego, a demografia e o problema da diminuta natalidade, e a sustentabilidade, pelo prisma da relação entre as cidades, a natureza e a energia D. R.

Região, 28 de Março de 2014 

Por Alberto Oliveira e Silva

Entre Douro e Vouga afirma-se “pela positiva”

O “Portugal 2020”, novo quadro comunitário de apoio, “é, mesmo, a nossa última oportunidade”, afirmou Hermínio Loureiro, na abertura do seminário “EDV 2020 a crescer com a área metropolitana do Porto”, realizado esta quinta-feira, no Europarque, em Santa Maria da Feira.

Avisando que “não podemos falhar”, o presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis e do Conselho Metropolitano do Porto vincou que a sub-região do Entre Douro e Vouga (EDV) – os concelhos de Santa Maria da Feira, S. João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Arouca e Vale de Cambra – já demonstrou a sua “vocação para crescer”.

O que queremos é uma oportunidade”, afirmou Hermínio Loureiro, que ainda pediu ao estado para, “pelo menos, não atrapalhar”.

As boas-vindas tinham ficado a cargo de José Pinheiro, presidente da Câmara de Vale de Cambra e da Associação de Municípios de Terras de Santa Maria (AMTSM). Que denunciou o esquecimento a que os cinco têm sido votados “por alguns decisores políticos”.

Mas vincou que a sub-região não quer “partir para um processo de reivindicação desarticulado e sem sentido”. Sublinhou que o EDV não se quer afirmar “como contra-vapor de ninguém”.   

Hermínio Loureiro reafirmou este princípio, salientando que o território saberá – como tem sabido – “afirmar-se, no contexto nacional, pela positiva”, não necessitando, por isso, de ser do contra. “Temos de acreditar nas nossas potencialidades e valorizar os nossos territórios”, acentuou.

 

O debate

O seminário contou com três painéis de debate, que abordaram o produto e o emprego, a demografia e o problema da diminuta natalidade, e a sustentabilidade, pelo prisma da relação entre as cidades, a natureza e a energia.

A falta de recursos humanos, nomeadamente de jovens, nos sectores mais técnicos das indústrias de referência da região foi conclusão forte do debate sobre o produto e o emprego. 

Disseram aos jovens que a indústria é suja!”, lamentou Manuel Carlos, secretário-geral da APICCAPS, a associação do calçado. Por isso, o sector “tem reputação” crescente a nível internacional, mas também “tem falta de pessoas”.

Pediu aos decisores políticos do EDV que articulem “uma forte estratégia” formadora com as escolas da região. E avisou: “uma escola fácil não prepara para uma vida difícil”.

Aníbal Campos, homem-forte da “Silampos” e ali em representação da associação do sector da metalurgia e da metalomecânica, constatou que as empresas precisam de “quadros intermédios”, de técnicos de manutenção e de electricistas, por exemplo.

Lamentou que, em Portugal, mude a estratégia de cada vez que muda o governo e sublinhou que o dinheiro para a formação “de que a indústria necessita” não poderá nem deverá ser “desviado” para outras áreas. 

O industrial de Cesar – município de Oliveira de Azeméis – disse que, há alguns anos, “os nossos políticos” aceitaram a deslocalização de indústrias para a Ásia, crendo que os serviços e a engenharia financeira seriam os motores da nossa economia. “Se continuarmos a dormir e formos só atrás de modas, iremos sofrer desgostos”, enfatizou.

João Rui Ferreira, o presidente da Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), apresentou a capacidade de adaptação do sector corticeiro, que foi aos grandes mercados internacionais – e vai voltar – não só reafirmar o primado da rolha de cortiça, como demonstrar que esta matéria-prima tem potencialidades para muitas mais aplicações.

A cortiça tem um grande futuro pela frente”, afirmou, com nota, porém, de que será inevitável que as empresas comecem a apostar no estabelecimento de parcerias, visando criar escala. É que o universo empresarial do sector ainda é dominado – a 70 por cento – por micro e pequenas empresas. E os mercados ultra-competitivos não estão para peixinhos.