A “viagem cultural” deste sábado até Sernada do Vouga – onde decorrerá um almoço-convívio – tem partida marcada para as 10:15 na Estação de Oliveira de Azeméis A “viagem cultural” deste sábado até Sernada do Vouga – onde decorrerá um almoço-convívio – tem partida marcada para as 10:15 na Estação de Oliveira de Azeméis EDVI

Oliveira de Azeméis, 7 de Maio de 2012 

Por Redacção/EDVI

Tertúlia no “Vouguinha”

O ciclo de tertúlias promovido pelo Instituto de Cultura Ferreira de Castro (ICFC) prossegue este sábado no “Vouguinha”, como é conhecido o comboio da Linha do Vale do Vouga, anunciou a instituição.

Além da reflexão sobre este meio de transporte, a acção cultural engloba ainda música, poesia, fotografia e pintura.

A manutenção e a modernização da Linha do Vale do Vouga, sem projectos megalómanos, é de crucial importância para a mobilidade de várias populações do distrito de Aveiro”, disse à EDV Informação Sérgio Ferreira, do ICFC.

Queremos com esta iniciativa chamar a atenção do Governo para as potencialidades do ‘Vouguinha’”, salientou.

A Linha do Vale do Vouga é viável porque a região é muito populosa e desde que haja alguns benefícios no traçado, assim como uma melhoria na imagem da locomotiva, haverá muitas mais pessoas a viajarem”, acrescentou.

A “viagem cultural” deste sábado até Sernada do Vouga – onde decorrerá um almoço-convívio – tem partida marcada para as 10:15 na Estação de Oliveira de Azeméis. A chegada ao mesmo local está prevista para as 16:00.  

Atravessando ainda hoje paisagens únicas, do mar à serra, de Espinho e de Aveiro a Sernada do Vouga, a linha foi inaugurada por D. Manuel II durante a apoteótica viagem que fez ao Norte, pouco depois do regicídio.

Com a República, o comboio chegou a Viseu, em 1914, e foi durante décadas factor determinante da economia serrana, nomeadamente no escoamento do minério que era extraído em Sever do Vouga, no transporte de pessoas e no comércio de produtos de vária índole.

Nos finais do Estado Novo, o “Vouguinha” foi “condenado a circulação suspensa”, por crime de fogo posto: dizia-se que as suas máquinas, então a vapor, é que pegavam fogo à floresta.

O 25 de Abril trouxe o “poder popular” à rua e a linha foi parcialmente aberta, já sem o troço de Sernada a Viseu, valendo-lhe a conquista o epíteto de “comboio do povo”, mas de então para cá o seu encerramento foi várias vezes equacionado numa lógica pouco social de viabilidade.