Américo Santos realça a qualidade da programação Américo Santos realça a qualidade da programação Alberto Oliveira e Silva

Cultura, 1 de Dezembro de 2011 

Por Alberto Oliveira e Silva

Festival de Cinema Luso-Brasileiro abre com “A Música de Tom Jobim”

O Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira abre no próximo domingo, pelas 21:30, com o filme “A Música segundo Tom Jobim”, de Nelson Pereira dos Santos.

Este ano, o certame, organizado pelo Cineclube da Feira e a decorrer até 11 do corrente na biblioteca municipal, apresenta as novas propostas das cinematografias de Portugal e do Brasil.

Tivemos o cuidado de montar uma programação que atendesse às propostas mais contemporâneas do cinema, que é algo que tem a ver com o advento muito forte das novas tecnologias“, declarou Américo Santos, o director do Festival.

O responsável sublinhou que houve “um cuidado muito especial” para seleccionar o que de mais moderno “está a ser apresentado actualmente quer no Brasil, quer em Portugal”.

Rotulando de “muito atractiva” a programação definida, realçou, em especial, os “dois grandes filmes na abertura e no encerramento”, prevendo casa-cheia para essas sessões.

Américo Santos salientou que, em termos de “competição oficial”, a programação regista “uma predominância clara das primeiras obras”, numa estratégia “em contraponto ao já realizado” anteriormente, em especial o relativo às sucessivas presenças em Santa Maria da Feira do realizador brasileiro Karim Ainouz, que ganhou o “Luso-Brasileiro” por duas vezes.

O certame vai apresentar seis longas-metragens: três portuguesas e três brasileiras. “Nas curtas-metragens, temos 30 filmes e uma representação muito equilibrada de cada cinematografia, uma vez que há 15 filmes portugueses e 15 filmes brasileiros”, assinalou o director do “Luso-Brasileiro”.

Os restantes “eixos” programáticos do Festival incluem uma homenagem póstuma a Pedro Hestnes, integrante do júri oficial em 2003, que “foi o principal rosto do cinema português no início dos anos 90 e que influenciou uma série de cineastas dessa geração”.

E a secção “realizador em foco” destacará o brasileiro Gustavo Spolidoro, realizador pouco conhecido entre nós, “mas que no Brasil tem desenvolvido uma carreira interessante”.

Mas, “os novos valores são a marca indelével do Festival de Cinema de Santa Maria da Feira”, afirmou Santos. Por isso, a secção “sangue novo” vai apresentar um valor emergente – o cineasta português Carlos Conceição, que “faz um cinema bastante plástico”. 

As “sessões especiais” apresentarão filmes escolhidos “pela sua singularidade”, entre os quais os integrantes do “pacote” designado por “Porto de Honra”, realizados por cineastas portuenses.

Em termos de complemento, o Festival de Cinema Luso-Brasileiro vai organizar um debate público entre produtores, realizadores e actores do cinema português.

O sentido de oportunidade é excelente, porque estamos num período de grande indefinição derivada da própria indecisão política referente à lei do cinema”, enfatizou Américo Santos, acrescentando que o objectivo do encontro é “discutir algumas questões pertinentes”, para que no final se possa apresentar “uma espécie de arrumos possíveis para o cinema português”.

Américo Santos referiu que a maior parte dos intervenientes nesse debate começarão a chegar no dia 8, juntando-se aos que já se encontrarem em Santa Maria da Feira. Serão constituídos grupos de trabalho, que culminarão numa “discussão pública” a realizar no dia 10.

Os produtores Luís Urbano e Joana Ferreira são presenças confirmadas e Tim Navarro também foi convidado. Entre os realizadores, destaque para a vinda de Teresa Villaverde.

O director ainda destacou o carácter interactivo e informal do certame, realçando a tradicional existência de “um contacto muito directo entre os profissionais do cinema e o público”, vincando que são muitos os estudantes que se deslocam a Santa Maria da Feira, “porque o Festival é muito atento às novas linguagens”.